Impactos da DRB nas fazendas de leite

A doença, que requer rápida intervenção, traz consequências que podem estar presentes em toda a vida produtiva do animal

O complexo das Doenças Respiratórias dos Bovinos (DRB) é considerado uma das principais causas de morte nos primeiros meses de vida das bezerras, estando entre as principais causas de morte após o desmame, e impacta diretamente os índices produtivos das fazendas de leite, especialmente quando acomete os animais antes do primeiro ano de vida. Considerado um dos principais desafios da pecuária mundial, seus prejuízos são observados em toda a cadeia produtiva.

As bactérias que habitam naturalmente as vias respiratórias superiores dos bovinos são agentes de grande importância para a ocorrência da DRB. Presentes no local sem causar danos elas aguardam momentos de desequilíbrio do sistema imunológico local, para que possam se multiplicar de maneira oportunista e migrar em direção aos pulmões. A multiplicação destes agentes e a produção de toxinas e outras substâncias, responsáveis por atrair e destruir células inflamatórias do organismo, promovem um quadro inflamatório grave, que pode levar o animal ao óbito.

“Além de promover o aumento da taxa de mortalidade e interferir no crescimento e desenvolvimento dos animais, a DRB impacta diretamente a produção de leite. A bezerra que passa pela DRB tem maior possibilidade de descarte involuntário, produz menos leite na primeira lactação e tem uma maior tendência à distocia ao parto, com consequências negativas para a saúde geral e reprodução, como a retenção de placenta e a metrite puerperal”, explica Marcos Malacco, médico veterinário gerente de serviços veterinários para bovinos da Ceva Saúde Animal.

Na pecuária leiteira, os fatores de risco que favorecem o surgimento da DRB estão relacionados à falha na transferência de imunidade passiva por erros na colostragem, dietas restritivas, protocolos de vacinação inapropriados, e falhas de manejo ambiental como qualidade inadequada da cama, excesso de poeiras e gases tóxicos (como amônia) pelo acúmulo de material orgânico (fezes, urina e alimentos), baias coletivas com grande número de animais e contato direto entre animais jovens e adultos. Situações que promovem estresse, como o desmame e o periparto, também influenciam na queda de imunidade dos animais e predisposição à quadros de DRB.

A moléstia precisa da atenção do produtor uma vez que estudos comprovam que as bezerras que tenham superado a DRB ainda nos estágios iniciais de vida apresentam o dobro de chances de morrer antes do parto e tendem a apresentar maior idade ao primeiro parto. Além disso, quando acomete a vaca adulta, é necessário o descarte de leite durante o período de tratamento, e cerca de 2% destes animais acabam sendo descartados.

Os custos associados às doenças respiratórias incluem prevenção, tratamento e perda de produtividade. Um levantamento realizado em 2010 por um conjunto de pesquisadores norte-americanos a fim de calcular os custos das perdas ocasionadas pela DRB estimou que elas podem variar de US$16,35 por bezerro em aleitamento à US$9,08 por animal adulto, embora o diagnóstico da pneumonia no gado leiteiro adulto não  seja tão comum quanto doenças como as mastites, claudicação, doenças metabólicas e distúrbios reprodutivos (Gorden e Plummer, 2010).

A DRB também pode ser responsável por mortes súbitas no rebanho, quando a evolução do quadro ocorre de maneira extremamente rápida. Nos bovinos jovens a DRB se apresenta como uma das principais causas de mortalidade, junto às enterites e a tristeza parasitária.

 

Prevenção da DRB nas bezerras leiteiras

“A prevenção das doenças respiratórias nas bezerras começa antes mesmo delas nascerem, com vacinações apropriadas na fêmea gestante. Após o nascimento, cuidados com a “cura” do umbigo e com o fornecimento de colostro de boa qualidade, em tempo e quantidade adequada, proporciona a proteção contra diversas infecções, incluindo a DRB. Na colostragem é importante minimizar a possibilidade de falha na transferência passiva dos anticorpos, por isso a qualidade do colostro fornecido nos primeiros momentos de vida do bezerro importa muito”, explica Malacco. “Uma nutrição adequada em todas as fases da vida e a vacinação contra os principais agentes virais promotores de doenças respiratórias e agentes bacterianos oportunistas que agravam a DRB também têm um relevante papel na formação dessa defesa do animal”.

O bom manejo ambiental é fator-chave para a saúde respiratória das bezerras, dando um destaque maior para as maternidades que devem estar o mais limpas e secas quanto possível, sem excessos de matéria orgânica a fim de evitar contato com bactérias patogênicas que possam promover enfermidades nos primeiros momentos de vida. O bezerreiro deve ser mantido distante dos animais mais velhos e o manejo alimentar e sanitário devem ser iniciados dos bezerros mais novos para os mais velhos.

“O momento do desaleitamento também requer maior atenção, por ser um período estressante e que resulta em surtos da DRB. É importante que a instalação coletiva que receberá os animais tenha espaço adequado para as bezerras, uma ótima ventilação e circulação de ar, com fácil acesso à ração e água. A triagem dos animais antes da formação dos lotes também é importante para que não haja introdução de um animal doente à um grupo saudável”, comenta.

 

Diagnóstico e Tratamento da DRB

Por ter uma progressão rápida, o diagnóstico precoce da DRB é essencial para limitar o curso da doença, assegurar menores sequelas nos pulmões dos animais e diminuir impactos em seu desenvolvimento. Os sinais clínicos mais comuns são apatia e falta de apetite, presença de secreção nasal, secreção ocular, respiração rápida ou dificultosa, com presença ou não de tosse espontânea ou provocada, e febre.

“O tratamento da DRB é baseado em duas abordagens de grande importância, o controle efetivo da infecção e do processo inflamatório pulmonar. Na maioria das vezes é o processo inflamatório que agrava o quadro tem alto potencial para determinar lesões importantes e levar o animal afetado ao óbito. Por isso, os animais diagnosticados com a DRB devem ser rapidamente tratados, buscando o rápido e prolongado controle da infecção e conveniente controle da inflamação”, finaliza o médico veterinário.

 Uma ótima opção para controle da inflamação é a utilização do meloxicam, anti-inflamatório não esteroidal (AINE) com ação inibitória preferencial da COX-2, capaz de combater a inflamação com menos efeitos colaterais, que podem ocorrer com a maioria dos outros AINEs empregados nos bovinos. Já no combate à infecção, o florfenicol é antibiótico de amplo espectro de escolha, com baixíssima taxa de resistência bacteriana quando comparado a outros antimicrobianos também utilizados como tratamento da DRB.

Ciente da importância de uma intervenção rápida e tão necessária para a cura da DRB, a Ceva traz em seu portfólio o Zeleris®, primeira e única associação de florfeniicol e meloxicam, A combinação inédita e muito eficaz, proporciona rápido início de controle da infecção, que permanece por pelo menos 3 dias, junto ao controle da inflamação pulmonar pelo mesmo período citado. Além disso Zeleris® traz a praticidade com sua aplicabilidade de dose única (1 mL/10 Kg de peso vivo por via subcutânea), que facilita o cálculo do volume a ser administrado, tem alta seringabilidade, apresenta a exclusividade de estar disponível em frasco Clas®, e reduz o estresse de aplicações repetitivas no animal, considerando também o seu bem-estar.

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